Os Ombros Suportam o Mundo


























Os Ombros Suportam o Mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação
.
Carlos Drummond de Andrade






Vens como o vento repentino das noites de celeuma
Atingindo violentamente todos os meus quereres
E na tempestade cheio de vontades e desejos de ti
Entrego-me a todas as intempéries de teu clima
Já que estás em mim em todos meus afazeres
E já vive intensamente em mim sozinho e por si

Tens em minha intrapessoal mitologia o posto de Amazona
Onde deliro ante teu excitante fascínio e sensualidade
Mulheres meigas carinhosa têm uma vontade titânica
De meu conhecimento cultural és apaixonante madona
Onde antevejo em tuas cores e formas toda tua liberdade
E meu verdadeiro amor ante a ti vem alegremente á tona

Vejo em ti uma autêntica e radiante mulher de Atenas
Transfigurada em toda face da modernidade feminina
E sempre e infinitamente menina em teus encantos
Quero-te definitivamente e não em um instante apenas
Farei de ti minha princesa e se não souber você me ensina
Cuidarei de ti todos os momentos em que estiver em prantos

Quero teu sorriso mais sincero e o brilho que reflete em teu olhar
Para assim acordar minha alegria e minha retina inundar de beleza
Ninar-te antes e após fazermos amor mente corpo ao transcender
Ao teu lado segui-la até onde teu pensamento o meu possa trilhar
Descortinando toda magnitude de tua radiante e briosa natureza
E assim toda vontade e desejo possam em ti e em mim ascender
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"Sant’Anna: 'Duchamp pratica o paradoxo do mentiroso' por: Juliana Krapp


"Sant’Anna: 'Duchamp pratica o paradoxo do mentiroso' 
 por: Juliana Krapp 
Eis a íntegra da entrevista publicada no Idéias deste sábado(12.12.08) com o 
poeta Affonso Romano de Sant’Anna, autor de O enigma vazio (Rocco), livro de 
ensaios que faz uma severa crítica à arte conceitual e a Marcel Duchamp. 
De que maneira a crítica de arte pode ser aliada da arte? 
Guimarães Rosa dizia que o melhor critico é aquele que ajuda o autor a ler 
sua obra. É um tipo de parceria. Por outro lado lado, como diz Salomão, “o 
que ama repreende”. Mário de Andrade fazia isto magistralmente. Dizia as 
maiores verdades na cara dos artistas amigos e estes ainda lhe ficavam 
agradecidos. Encontrei-me com Octavio Paz várias vezes no Brasil e no 
exterior, ele até publicou ensaio meu em sua revista, mas isto não significa 
que tenha de concordar com tudo o que diz. O mesmo com Roland Barthes, que 
admiro, mas que nos ensaios sobre Cy Twombly viajou legal. Foucault e 
Derrida foram leituras importantes nos anos 60 e 70, mas não dá para aceitar 
certas coisas que dizem.

Carta aos Mortos


Amigos, nada mudou


em essência.


Os salários mal dão para os

 gastos,

as guerras não terminaram


e há vírus novos e terríveis,


embora o avanço da medicina.


Volta e meia um vizinho


tomba morto por questão de amor.


Há filmes interessantes, é verdade,


e como sempre, mulheres portentosas


nos seduzem com suas bocas e pernas,


mas em matéria de amor


não inventamos nenhuma posição nova.


Alguns cosmonautas ficam no espaço


seis meses ou mais, testando a



 engrenagem

e a solidão.



Em cada olimpíada há récordes previstos

e nos países, avanços e recuos sociais.


Mas nenhum pássaro mudou seu canto


com a modernidade.


Reencenamos as mesmas tragédias



gregas,

relemos o Quixote, e a primavera


chega pontualmente cada ano.

Alguns hábitos, rios e florestas


se perderam.


Ninguém mais coloca cadeiras na calçada


ou toma a fresca da tarde,


mas temos máquinas velocíssimas


que nos dispensam de pensar.

Sobre o desaparecimento dos dinossauros


e a formação das galáxias


não avançamos nada.


Roupas vão e voltam com as modas.


Governos fortes caem, outros se levantam,


países se dividem


e as formigas e abelhas continuam


fiéis ao seu trabalho.



Nada mudou em essência.

Cantamos parabéns nas festas,


discutimos futebol na esquina


morremos em estúpidos desastres


e volta e meia


um de nós olha o céu quando estrelado


com o mesmo pasmo das cavernas.


E cada geração , insolente,


continua a achar


que vive no ápice da história.
 

* Este poema foi recitado na voz de Tônia Carrero no CD "Affonso Romano de Sant'Anna por Tônia Carrero" da Coleção "Poesia Falada".

Origem do Ovo de Chocolate na Páscoa


O ovo é considerado a mais perfeita embalagem natural. Em diversas culturas também simboliza o começo do universo. Os sacerdotes druidas escolheram o ovo como símbolo de sua seita. Outra corrente assegura que o ovo é símbolo pascal inspirado no costume chinês de colorir ovos de pata, para celebrar a vida que deles se origina.
Ovos eram cozidos e comidos durante os festivais do antigo Egito, Pérsia, Grécia e Roma. Coloridos, eram presenteados para celebrar a chegada da florida primavera, depois do inverno branco no Hemisfério Norte.
 Estas culturas tinham o ovo como emblema do universo, a palavra da suprema divindade, o princípio da vida.
Vários costumes associados à Páscoa não existiam até o século XV. 
 Acredita-se que os missionários e os cruzados trouxeram para a Europa Ocidental o costume de presentear com ovos. Na época medieval, eram pintados de vermelho para representar o sangue de Cristo.
 Os cristãos adotaram esta tradição e o ovo passou a ser o símbolo da tumba da qual Jesus ressuscitou.
Ovos de chocolate começaram a aparecer no século XVII. Ovos de plástico recheados de ovos de chocolate ou bombons surgiram na década de 60.

Imagens da Via Sacra pela Vida!


IJOMA -1 ANO DE LUTA EM FAVOR DA VIDA por Pe. Paulo e Voluntários

Um ano de existência do Instituto do Câncer JOEL MAGALHÃES. Administrado pelo Pe. Paulo, pároco da Igreja Jesus de Nazaré em conjunto com os Voluntários que sensibilizados, buscam melhorias para pessoas que sofrem ou já sofreram com a doença, assim também como confortar os que já perderam algum familiar ou amigo por conta deste mal. Para comemorar este um ano de existência o Instituto visa sensibilizar as autoridades do Estado do Amapá, realizou-se a "Via Sacra da Vida", que busca melhorias para todas as pessoas doentes desta sociedade.  

O ortônimo e os heterônimos de Fernando Pessoa



Fernando Pessoa usou em suas obras diversas autorias. Usou seu próprio nome (ortônimo) para assinar várias obras e pseudônimos (heterônimos) para assinar outras. Os heterônimos de Fernando Pessoa tinham personalidade própria e características literárias diferenciadas. São eles:

UM CAMINHO BONITO


1º SEMINÁRIO DE ESCRITORES INICIANTES DE MACAPÁ

O ABEPORÁ DAS PALAVRAS em conjunto com a COORDENAÇÃO DE LETRAS DA UEAP e os ACADÊMICOS DE LETRAS, realizaram no ultimo 15/04/2011, no auditório da UEAP campo II, um seminário que contou com apoio de Poetas Amapaenses e Peraense, como HERBET EMANUEL, RUI DO CARMO,  CARLA NOBRE. E PAULO TARSO. No Seminário ouve troca de experiências, exposição de atividades já adquiridas por  estes poetas e incentivo para os iniciantes, apesar de haver dificuldades, mas é uma "paixão de palavras...com tesão e prazer", que a poesia causa no ser humano... Houve também a apresentação de um Vídeo "Poetas do Amapá", encomendado e divulgado nacionalmente pela TV CULTURA, os poetas selecionado foram: HERBET EMANUEL, MANOEL BISPO E CARLA NOBRE, o Abeporá das Palavras estará divulgando este video nas escolas de Macapá, um projeto do grupo para este ano, que inicia suas atividades com o Seminário e no ultimo sábado de cada mês realiza na Praça Floriano Peixoto o "CALDO COM POESIA " um sarau interativo, que vc toma caldo e recita ou ouve poesias ao ar livre... Uma coisa super diferente pra vc curtir!! O Abeporá espera vc Lá!
contato com o grupo é/ abeporádaspalavrasap@hotmail.com
Minha vida é um livro de páginas abertas
Escrito com tintas de prismas invisíveis
Em páginas de linhas compactas
Com margens de espaços imprevisíveis

Amor risos pombas brancas
É lá que eu quero ficar
Para esquecer meu cansaço
E o meu lamento estancar

Meu mundo vive solto e lato
Em tua enluarada imensidão
Em tuas reentrâncias me adapto
Sem medo sem nenhuma lassidão

Minha vida é um livro de páginas abertas
Escrito com tintas de prismas invisíveis
Em páginas de linhas compactas
Com margens de espaços imprevisíveis

Escrita que esconde segredos
Desejos e encantos carnais
O mal colocou em degredo
Amor que não termina jamais

Amor risos pombas brancas
É lá que eu quero ficar
Para esquecer meu cansaço
E o meu lamento estancar
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Quero teus axiais movimentos sensuais
Simétricos aos meus infindos desejos
Teu orgasmo solto e em meu corpo
Junto a gemidos loucuras e beijos
Quero unir nossas fantasias casuais
A nossas fantasias mais inconseqüentes
Quero lamber tua virilha tuas axilas
Teus seios teu corpo e todo o teu ser
Quero penetrar-te sofregamente
Tuas áreas deliciosamente erógenas
Abrir com minha língua o meu querer
Caminhar por tuas eróticas entrelinhas
Incitar teu mais profundo e louco desejo
Abocanhar teu mais reprimido orgasmo
Navegar nessas águas de teu puro prazer
Alternando nosso movimento de vai-e-vem
Ler toda tua sensual e envolvente objetividade
Encobrindo com meu ardor teus sussurros
Mordendo e mordiscando toda tua carne
Onde morra a fonte de meus sexuais delírios
Semeando em nós nossa interior subjetividade
www.recantodasletras.com.br/autores/leilson ..

Affonso Romano de Santa'Anna


Epitáfio Para o Sec. XX


1.Aqui jaz um século 
onde houve duas ou três guerras
mundiais e milhares
de outras pequenas
e igualmente bestiais.
2.Aqui jaz um século
onde se acreditou
que estar à esquerda
ou à direita
eram questões centrais.

3.Aqui jaz um século
que quase se esvaiu
na nuvem atômica.
Salvaram-no o acaso
e os pacifistas
com sua homeopática
atitude
-nux vômica.

4.Aqui jaz o século
que um muro dividiu.
Um século de concreto
armado, canceroso,
drogado,empestado,
que enfim sobreviveu
às bactérias que pariu.

5.Aqui jaz um século
que se abismou
com as estrelas
nas telas
e que o suicídio
de supernovas
contemplou.
Um século filmado
que o vento levou.

6.Aqui jaz um século
semiótico e despótico,
que se pensou dialético
e foi patético e aidético.
Um século que decretou
a morte de Deus,
a morte da história,
a morte do homem,
em que se pisou na Lua
e se morreu de fome.

7.Aqui jaz um século
que opondo classe a classe
quase se desclassificou.
Século cheio de anátemas
e antenas,sibérias e gestapos
e ideológicas safenas;
século tecnicolor
que tudo transplantou
e o branco, do negro,
a custo aproximou.

8.Aqui jaz um século
que se deitou no divã.
Século narciso & esquizo,
que não pôde computar
seus neologismos.
Século vanguardista,
marxista, guerrilheiro,
terrorista, freudiano,
proustiano, joyciano,
borges-kafkiano.
Século de utopias e hippies
que caberiam num chip.

9.Aqui jaz um século
que se chamou moderno
e olhando presunçoso
o passado e o futuro
julgou-se eterno;
século que de si
fez tanto alarde
e, no entanto,
-já vai tarde.

10. Foi duro atravessá-lo.
Muitas vezes morri, outras
quis regressar ao 18
ou 16, pular ao 21,
sair daqui
para o lugar nenhum.

11.Tende piedade de nós, ó vós
que em outros tempos nos julgais
da confortável galáxia
em que irônico estais.
Tende piedade de nós
-modernos medievais-
tende piedade como Villon
e Brecht por minha voz
de novo imploram. Piedade
dos que viveram neste século
per seculae seculorum.
Por Mara Maravilha

AMOR E TESÃO

Nossa noite de amor
É encantada
Verdadeira magia
Tua voz sussurrada
Teus gemidos
Alucinam meu corpo
Acordam meus sentidos
Suavemente nos tocamos
O calor e arrepios
Em nossos corpos
Então juntinhos
Sobem...descem
E se espalham
Provocando alucinações
Fascínio
Tesão...
Encantada sensação
Este momento nos traz
O beijo ardente
Nos queima por dentro
Cela o desejo ofegante
Nos entregamos então
Ao deleite do momento
Como os mais cúmplices
E apaixonados amantes!!
Por João S...

DELICIA

Quando amanheceres...
Que não haja sol,
Se não puderes aquecer-me.
Que não haja luz,
Se não puderes iluminar-me.
Que não haja desejo,
Se não puderes querer-me.
Quando amanheceres...
Que não haja esperança,
Se não puderes perdoar-me.
Que não haja sonho,
Se não puderes realizar-me.
Que não haja amor,
Se não puderes amar-me.
Quando amanheceres...
Que não haja som,
Se não puderes escutar-me.
Que não haja riso,
Se não puderes alegrar-me.
Que não haja chuva,
Se não puderes banhar-me.
Quando amanheceres...
Que não haja ódio,
Se não puderes esfacelar-me.
Que não haja raízes,
Se não puderes frutificar-me.
Que não haja enigmas,
Se não puderes decifrar-me.
Quando amanheceres...
Que não haja brisa,
Se não puderes refrescar-me.
Que não haja água,
Se não puderes saciar-me.
Que não haja lembranças,
Mas... Não consigo esquecer-te!
Quando amanheceres...
www.recantodasletras.com.br/autores/leilson

Maravilhas

Uma Declaração


Você me faz acreditar...
que o sentimento virtual
pode ser tão verdadeiro e “real”!
Você me faz sentir
esta vontade de lhe escrever
este desejo de estar com você...
e de querer dizer:
Você me faz falta!
Quando não lhe encontro
numa simples mensagem
na minha caixa postal.
Porque você já faz parte
do meu mundo real,
E quero que continue nele
para sempre…
Porque você é realmente
muito especial!
Escrito por Neutel Teles de Portugal

... TRISTEZA E PÉ NO CHÃO!