ÁTOMO...SEM MOLÉCULA...

Como queria explicitar minha alegria em palavras
Em uma prosopopeia de nosso uno e ímpar instante
Fluir e refluir algum texto que imprima esse sentir
Em palavras que o descreve-se peremptoriamente
Para que assim transcenda tua cósmica energia
Onde o tempo é o que se foi e ainda está por ser
Em uma interconexão corpórea inextrincável
De teu olhar irrompe então colossal alegria
Como raios traspassando meu gramatical universo
E as palavras silenciam torrencialmente em mim
Pois só o silêncio é capaz de captar tua magnitude
Que concomitantemente irrompe de teu olhar
Iluminando feito farol náufragas percepções
O que faz com que vençam todas as vicissitudes
Para assim desembarcarem no porto de tua solidez
Onde tua cognição desmonta meu agnóstico escrever
No oceano de palavras que são fugidias ao meu contexto
Desconstruo-me para entender um mínimo de teu ser
Na ânsia louca de nunca mais despertar de tua presença
Onde teu penetrante olhar é navegante autodidata
Que me ensina pouco a pouco amar mais e mais teu chão


Sou um rio subterrâneo
A desbravar suas entranhas
E minhas vontades são tamanhas
Pois tudo em ti é contemporâneo

Sou museu do que há de vir
E filho de sua consciência
Aquilo que ainda irá existir
Dentro dessa transparência

Sou um segundo em seu tempo
Mas parte de sua eternidade
Segundos de contratempo
Em seu todo sou uma unidade

Sou o carinho da tristeza
A estratégia adormecida
O estigma da certeza
E a esperança carcomida

Sou a calmaria na celeuma
E o ar que forma o vento
Do amor eu sou a fleuma
E ter você é meu intento


Devo reconhecer tua semiótica
Para compreender tua semântica
Quero penetrar nos domínios
Te tua sapiência translingüística
E reconhecer-me em teu texto
Como uma unidade específica
Atingir todas as dimensões
De morfemas fonemas sintagmas
A expressão máxima de tua comunicação
O idiomático máximo de teu informativo
Na lúdica transmissão de teu significado
Ante minha insignificante sintaxe
És regida por tua própria gramática
Com tuas dimensões e valores específicos
Mas em meu “eu” estás (de) codificada
Quero inteirar-me de teus meandros estilísticos
Em relações permitidas excluídas proibitivas
Talvez por conta de minha lisibilidade
Ou por conta da ambiguidade deste contexto
O toque de tua escrita faz-se Midas
E lança uma luz sobre minha agrafia
Esse solene e literário ato
Por isso amo até tuas entrelinhas
Onde me encontro e te encontro de fato
                         

... TRISTEZA E PÉ NO CHÃO!